terça-feira, 31 de maio de 2011

Família, Pessoa e Sociedade

Neste domingo, em Aparecida - SP, realiza-se a 3ª Peregrinação Nacional da Família, que tem como tema “Família, pessoa e sociedade”. Convidado a dar minha contribuição, lá estarei para falar dessa instituição fundamental em nossa formação pessoal e na da sociedade. Aceitei esse desafio, motivado por duas circunstâncias: em primeiro lugar, porque a peregrinação será a um santuário mariano. Como mãe de Jesus, Maria cuidou da casa de Nazaré. Melhor do que ninguém ela pode nos dizer: Eu sei quanto a família é importante! No lar de Nazaré, Maria viu Jesus crescer, dia por dia, em sabedoria, tamanho e graça diante de Deus e dos homens (cf. Lc 2,52). Um segundo motivo para contribuir com as reflexões dessa peregrinação deve-se ao que vejo: um esforço sistemático de juristas, legisladores e ongs para que a união de duas pessoas, quaisquer que sejam, seja equiparada à família.

Aos que me perguntam se ainda tem sentido defender a família ou se a família, como a Igreja a apresenta e defende, não seria uma realidade ultrapassada, respondo com a seguinte observação: quando Deus quis enviar Seu filho ao mundo, Ele o enviou em uma família. É interessante constatar que o Pai do céu pediu muitos sacrifícios a seu Filho Jesus. Sim, Jesus nasceu em uma gruta; foi perseguido ainda em criança e precisou ser levado para o Egito; teve adversários, ao longo de seus anos de pregação; foi condenado à morte como um criminoso e morreu numa cruz. O que o Pai não lhe pediu foi que nascesse e vivesse em uma família desestruturada. Por que? A resposta é simples: a família é fundamental para o desenvolvimento harmonioso de uma pessoa. Uma pessoa sem família tem maior dificuldade de ser emocional, psíquica e espiritualmente equilibrada. Portanto, se Deus, a quem nada é impossível (cf. Lc 1,37), escolheu o caminho da família para enviar Seu Filho, foi porque, com essa escolha, quis nos apontar uma direção, um valor, um tesouro: esse tesouro, esse valor e essa direção é a família, onde Jesus passou a maior parte de sua vida.
Trinta anos atrás, o então Papa João Paulo II, que no início deste mês foi proclamado bem-aventurado, proclamou solenemente: “O matrimônio e a família constituem um dos bens mais preciosos da humanidade” (FC, 1). Sua Exortação Apostólica sobre “A Missão da Família Cristã no Mundo de Hoje” é um texto clássico, sempre atual. Esse Papa da Família afirmou com todas as letras que “o futuro da humanidade passa pela família”. E explicou: “É indispensável e urgente que cada homem de boa vontade se empenhe em salvar e promover os valores e as exigências da família”.
Nenhum outro grupo humano sofre tanto as repercussões do mundo que o rodeia como a instituição familiar. Em cada família ecoam imediatamente os problemas econômicos e os desajustes pessoais, a propaganda e as crises da sociedade, a onda de permissividade e o clima erotizante de muitas novelas e programas televisivos. Graças a Deus, cresce o número daqueles que trabalham para ajudar a construí-la. Tais pessoas testemunham que a família é o melhor ambiente para alguém aprender que Deus é Pai e que o amor só é verdadeiro quando se traduz em doação, sacrifício e na superação de toda forma de egoísmo. A doação diária dos esposos reforça a aliança feita um dia diante de Deus; sua comunhão de amor e vida completa-se com a geração de filhos. Felizes serão nossas famílias, quando descobrirem que a missão de educar os filhos já é um verdadeiro e próprio apostolado!
A família é a melhor escola de amor, isto é, o lugar ideal para cada um aprender a ir ao encontro do outro e fazê-lo feliz. Se é importante e essencial que a criança e o jovem tenham alimentação, saúde e escola, não menos importante é que recebam o que será essencial para seu pleno desenvolvimento: amor e carinho, compreensão e lições de perdão. Mais do que por palavras, será pelo exemplo dos pais que esses valores serão transmitidos aos filhos. Então, a Igreja lhes será muito grata, porque, trabalhando para construir famílias sadias, tais pais estarão construindo a sociedade.

Dom Murilo S.R. Krieger, scj

Arcebispo de Salvador - BA

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